Feriado finado
recuerdos (a todo instante)
que ao invés de transubstanciar,
preferimos, como sempre,
entoar
durante três dias seguidos
a ode-açougue à nossos entes
numa tentativa
de relembrar a forma decadente,
e reafirmá-la a qualquer custo.
Instruções:
Amar o defunto
e demais corpos decrépitos.
Compactuar com as fragilidades;
perfumá-las de flores,
se apegar e depender de qualquer coisa-elo que assim nos ligue.
Compreende quem pode/ Compreende quem morre.
* Este incrível poema foi escrito por Tamara Costa em 2007, inspirada pelo Dia de Finados (e por papai - já fagocitado).
4.11.09
30.10.09
MEMÓRIAS ou TRISTES PUTAS, REDONDAMENTE PUTAS
A puta cai do céu direto na mesma ponte onde hoje tento suicídio, no Sena, em Paris. O nome dela: Ângela. Eu aqui (imigrante árabe) tentando morrer com dignidade afogado num museu a céu aberto. E do céu me cai essa loira num micro-preto e salto-agulha. Grace, Ângela, ou o anticristo (ver também Lars Von Trier). Já nem me lembro mais seu nome. Pulo contigo - ou pulo, porque pulastes antes. Pulo porque não me deixastes escolha. Talvez seja um sonho.

Isto não é um caximbo, de René Magritte
Somente um devaneio? Te digo, quanto tenho alucinações do deste tipo, não acordo muito bem. Fico semanas remoendo o gosto de sangue do vestido. Ou seria o gosto do esmagamento das pedras? Je ne sais pas.
* Lembrar que puta pode ser aquela que te leva o pagamento do mês em menos de três minutos - ou uma semana, aí do cartão-de-crédito, calcule.

Somente um devaneio? Te digo, quanto tenho alucinações do deste tipo, não acordo muito bem. Fico semanas remoendo o gosto de sangue do vestido. Ou seria o gosto do esmagamento das pedras? Je ne sais pas.
* Lembrar que puta pode ser aquela que te leva o pagamento do mês em menos de três minutos - ou uma semana, aí do cartão-de-crédito, calcule.
9.10.09
medidas permanentes de como saciar a sede
ou a fome
inerentes
desde sempre
a chama esteve acesa
para que depois compreendessem (mentira)
coração e adultério
- só mais um capricho dessa sumptuosa víscera.
com tamanha histeria pela
resposta -
vício ou neurose?
lembro-me
desde o primeiro não
(ainda assim vinha-se o sim tomado a força)
que era preciso não querer
nunca - crivo.
passados anos-fogueira
ou depois de todos os sim(s) consentidos
aqui se instala:
o arrebatamento e a desmesura
d'ela.
“No son temibles las normas, sólo aquellos que se las creen...” ao ver também Valérie Tasso
ou a fome
inerentes
desde sempre
a chama esteve acesa
para que depois compreendessem (mentira)
coração e adultério
- só mais um capricho dessa sumptuosa víscera.
com tamanha histeria pela
resposta -
vício ou neurose?
lembro-me
desde o primeiro não
(ainda assim vinha-se o sim tomado a força)
que era preciso não querer
nunca - crivo.
passados anos-fogueira
ou depois de todos os sim(s) consentidos
aqui se instala:
o arrebatamento e a desmesura
d'ela.
“No son temibles las normas, sólo aquellos que se las creen...” ao ver também Valérie Tasso
5.10.09
4.10.09
Alfonsina y el mar
Escrevo porque sinto raiva de vocês. Todos. Escrevo para me aliviar. Talvez um dia eu entenda porque eu escrevo. Ou porque sinto tanta raiva de vocês. Todos. Vocês me acotovelam nas ruas. E então, Alfonsina, escrever deveria bastar? Acendo um cigarro.
Talvez o mundo me tenha sido apresentado quando vi os olhinhos de Alejandro. Pupilas quase impedidas de conviver com a luz. Muita luz, meu pequeno, durma, durma. Também preciso dormir um pouco mais, pequeno. Encontrei Frederico Garcia Loca em 1933 (ou seria 1934?), no Café Tortoni. Me disse que viu a morte numa dessas festas de casamento banhadas a sangue. Se arrebatou. Escreveu Bodas de Sangue. Pura tragédia. Puro Eros e Thanatos, isso de não conseguir aniquilar as pulsões - toda aquela necessidade de ser livre. Primordialmente livre. Nada mais trágico. A morte travestida de mendiga. Tumor de plexo.
NOTA
Alfonsina Storni enviou o soneto "Voy a dormir" ao jornal argentino La Nacion, três dias antes de seu suicídio. Na madrugada de 25 de outubro de 1938, aos 46 anos, depois de ditar uma carta para seu filho, caminhou para o mar sob uma tempestade. Pela manhã, seu corpo foi encontrado na praia.
VOY A DORMIR
"Dientes de flores, cofia de rocio,
manos de hierbas, tú, nodriza fina,
tenme prestas las sábanas terrosas
y el edredón de musgos encardados.
Voy a dormir, nodríza mía, acuéstame.
Ponme una lámpara a la cabecera;
una constelacíón; la que te guste;
todas son buenas; bájala un poquito.
Dejame sola: oyes romper los brotes...
te acuna un pie celeste desde arriba
y un pájaro te traza unos compases
para que olvides... Gracias.
Ah, un encargo:
si él llama nuevamente por teléfono
le dices que no insista, que he salido..."
Ver também: Argentina llora la muerte de Mercedes Sosa
Talvez o mundo me tenha sido apresentado quando vi os olhinhos de Alejandro. Pupilas quase impedidas de conviver com a luz. Muita luz, meu pequeno, durma, durma. Também preciso dormir um pouco mais, pequeno. Encontrei Frederico Garcia Loca em 1933 (ou seria 1934?), no Café Tortoni. Me disse que viu a morte numa dessas festas de casamento banhadas a sangue. Se arrebatou. Escreveu Bodas de Sangue. Pura tragédia. Puro Eros e Thanatos, isso de não conseguir aniquilar as pulsões - toda aquela necessidade de ser livre. Primordialmente livre. Nada mais trágico. A morte travestida de mendiga. Tumor de plexo.
NOTA
Alfonsina Storni enviou o soneto "Voy a dormir" ao jornal argentino La Nacion, três dias antes de seu suicídio. Na madrugada de 25 de outubro de 1938, aos 46 anos, depois de ditar uma carta para seu filho, caminhou para o mar sob uma tempestade. Pela manhã, seu corpo foi encontrado na praia.
VOY A DORMIR
"Dientes de flores, cofia de rocio,
manos de hierbas, tú, nodriza fina,
tenme prestas las sábanas terrosas
y el edredón de musgos encardados.
Voy a dormir, nodríza mía, acuéstame.
Ponme una lámpara a la cabecera;
una constelacíón; la que te guste;
todas son buenas; bájala un poquito.
Dejame sola: oyes romper los brotes...
te acuna un pie celeste desde arriba
y un pájaro te traza unos compases
para que olvides... Gracias.
Ah, un encargo:
si él llama nuevamente por teléfono
le dices que no insista, que he salido..."
Ver também: Argentina llora la muerte de Mercedes Sosa
2.10.09
dos jogos
da recuperação do choro-primeiro,
de salva logo então,
eu-mínima, polegar
alavancando os braços
tão engraçadinhos pequenos
cheios de não deixe tudo tão sério e nem que o sério leve tudo
[não deixe que te levem os bebês]
- a regra do jogo consiste basicamente em
não olhar para trás.
então deitamo-nos,
todos no chão
- incumbidos da tarefa de esquecer
[acesso remoto: risadas são códigos, insisto]
instruções:
esquecer a voz da amada
lembranças são marcas
cicatrizes
conte até vinte
faça um pedido
depois mantrifique.
do outro lado:
a voz do comando no comando
dá boas vindas
à festa da caça.
[e quem olhasse
rente ou através
logo estaria fora]
os curiosos pagarão com os olhos
os resistentes com a entrega -
anexar em regras.
e depois
de desligadas luzes
cinema de graça
[continuar olhando para frente]
- tá, pode piscar
[piscar pode ser entrega
ou
engolir a saliva]
as luzes se acenderão
e ouviremos música
sem resistir
ou perguntar
[aquele cílio colado no polegar]
mantenedor de fascínios
em serena expectativa
vemos as chaves se dissiparem
como palavras escritas a mão
no ar.
"Agora que estou sem Deus posso me coçar com mais tranqüilidade”.
Hilda Hilst, in Qadós
de salva logo então,
eu-mínima, polegar
alavancando os braços
tão engraçadinhos pequenos
cheios de não deixe tudo tão sério e nem que o sério leve tudo
[não deixe que te levem os bebês]
- a regra do jogo consiste basicamente em
não olhar para trás.
então deitamo-nos,
todos no chão
- incumbidos da tarefa de esquecer
[acesso remoto: risadas são códigos, insisto]
instruções:
esquecer a voz da amada
lembranças são marcas
cicatrizes
conte até vinte
faça um pedido
depois mantrifique.
do outro lado:
a voz do comando no comando
dá boas vindas
à festa da caça.
[e quem olhasse
rente ou através
logo estaria fora]
os curiosos pagarão com os olhos
os resistentes com a entrega -
anexar em regras.
e depois
de desligadas luzes
cinema de graça
[continuar olhando para frente]
- tá, pode piscar
[piscar pode ser entrega
ou
engolir a saliva]
as luzes se acenderão
e ouviremos música
sem resistir
ou perguntar
[aquele cílio colado no polegar]
mantenedor de fascínios
em serena expectativa
vemos as chaves se dissiparem
como palavras escritas a mão
no ar.
"Agora que estou sem Deus posso me coçar com mais tranqüilidade”.
Hilda Hilst, in Qadós
25.9.09
Dio perdona
Entrou na sacristia. Abriu a estante onde estavam hospedadas hóstias e cálices. Deu um trago no vinho. Mexeu nas estantes. Achou a chave do santíssimo, onde Padre Jonas guardava as hóstias. Hóstias sagradas. O corpo de cristo. Entre outros imaginários subversivos (aqui não constados como tal), o mais valioso da igreja estava ali - hóstias sacramentadas. Assim, chamaram-lhe Ladrão. Inescrupuloso. Impuro. A ministra da eucaristia pôs a mão no rosto e arregalou os olhos. Assistíamos tudo pela televisão. Enquanto isso, ou aquilo, o diácono não soube mensurar a valia do ato ou o a espessura da degradação. Talvez déssemos a isto o nome de decadência. Ou escória. Talvez em outros tempos ou no exacto tempo do bem. Nada mais pernicioso - não seria mesmo questionada - sua abrupta subida diante da cruz para depois engolhir-lhe o corpo, pedaço-por-pedaço antes que apodrecesse. Jornais de todo o mundo teriam-no estampado em suas capas caso grupo de ex-BBBs não tivessem sido escaladas para filme pornô. Como se isso, ou aquilo, insisto - puro canibalismo isso de comer um corpo ou outro -, fosse negação da dignidade humana. Talvez ele tivesse se perguntado o que Satã teria de tão particular. Talvez o despudor. Talvez o maldito. A epifania do anticristo em CAIXA-ALTA. Àqueles que continuam a negar a interdição.
Fora também traduzido para o italiano:

Pisa, Itália
“A pessoa parecia ter tudo planejado”, garantiu o jornalista.
Aliança com o animal, disse Bataille - antigas marcas. Ou a confusão do animal e do humano, do animal e do divino.
Porco-menino, por Hilda Hilst.
Just say my name, and it’s all right, has sung P.J. Harvey.
Da superação do horror, eu vos digo.
E o que sobra?
O efeito disso ou daquilo em mim - efeito-Bataille ou efeito-Fou-Tchou-Li ou...
Ver também: Ladrão invade igreja, furta hóstias e escreve ‘Salve Lúcifer’ na parede
Fora também traduzido para o italiano:
“A pessoa parecia ter tudo planejado”, garantiu o jornalista.
Aliança com o animal, disse Bataille - antigas marcas. Ou a confusão do animal e do humano, do animal e do divino.
Porco-menino, por Hilda Hilst.
Just say my name, and it’s all right, has sung P.J. Harvey.
Da superação do horror, eu vos digo.
E o que sobra?
O efeito disso ou daquilo em mim - efeito-Bataille ou efeito-Fou-Tchou-Li ou...
Ver também: Ladrão invade igreja, furta hóstias e escreve ‘Salve Lúcifer’ na parede
23.9.09
28.8.09
inclassificáveis
Se você está procurando por um ilustrador foda (foda mesmo), aqui vos apresento: Júlia Libânio, a desenhista/quadrinista mais genial que conheço. Diretamente de Brasília, entre outros sufocos, disposta e corada, diz que propostas de trabalhos serão bem vindas. Hable con ella!
15.8.09
Oitava elegia, de Rilke
Dedicada à Rudolf Kassner.
"Com todos seus olhos, a criatura vê o aberto. Somente nossos olhos parecem voltados, postos como armadilhas em tôrno da criatura, de sua livre passagem. O que está fora, nós não o lemos se não no olhar do animal, pois, a jovem criança está já voltada por nós e forçada a ver as formas diante de si, ao invés de desvendar esta abertura, tão profunda como a face do animal, livre de toda morte. Quanto a nós, é somente morte o que vemos. O animal sempre livre têm seu fim atrás e diante dele Deus. E quando ele se move, é para pertencer à eternidade, como os movimentos das fontes. Nós não temos um dia sequer, diante de nós, o puro espaço ao qual as flores se abrem infinitamente. É sempre o mundo e jamais, saído do nada, o lugar que é de parte alguma, a pureza que nada vigia mas que se respira, que se conhece infinito, que nada cobiça. Criança, tal aí se perde no silêncio e é perturbada. Ou tal outro morto o é. Pois perto da morte não a veem mais, o olhar se fixa e se torna talvez aquele do animal. Os amantes, não sendo o outro que mascara a vista, estariam muito próximos. Eles se admiram...
Atrás do outro, qualquer coisa se abre inadvertidamente... Mas ninguém jamais ultrapassa o outro e de novo tudo re-torna-se o mundo. Sempre voltados para a criação, não é se não nela que nós avistamos o reflexo da liberdade que nos encobre de sombra, ou quando um animal mudo nos atravessa com seu olhar levantado. É bem isso o destino: se manter em face, nada de outro, sempre em face.
Se tivesse uma consciência como a nossa, no aminal seguro de si que vem ao nosso encontro, seu movimento nos arrancaria do nosso caminho. Mas seu ser é infinitamente puro, sem limites. É seu olhar em seu estado, puro como a vista das coisas. Lá onde nós vemos o futuro, ele vê o todo e se vê ele mesmo no todo, e salvo, para sempre.
E portanto, há no animal se quente e vigilante, o peso e a preocupação de uma grande melancolia. Pois ele leva, ele também, o que assim frequentemente nos subjuga - a lembrança, este sentimento que tudo nos conduz o que tende a já estar muito próximo, muito fiel e de contato muito terno. Aqui tudo é distância e lá tudo era sopro. Depois do primeiro lar, o segundo lhe parece duvidoso e aberto aos ventos. Ó felicidade da pequena criatura que sempre permanece no seio que a levou ao seu termo. Ó felicidade do mosquito que, mesmo na hora de seu casamento, salta no interior do seio - , pois, estar no seio, é tudo. Olha esta segurança amputada do pássaro que, por sua origem, quase sabe de uma e de outra coisa, como se nele estivesse uma alma etrusca, vinda de uma morte que encerra um espaço, coberto por um que é. E quão turvo no voo é um ser nascido de um seio. Como assustado de si mesmo, ele atravessa o ar, assim como o avanço de uma rachadura na taça. É assim como o traço do morcego rasgando a porcelana da noite.
E nós: espectadores sempre e em todo lugar, voltados para tudo isso e não o ultrapassando jamais. Nós impomos a ordem. Tudo desmorona. Nós re-ordenamos, e nos decompomos nós mesmos.
Quem nos fez virar de modo que, o que quer que façamos, assumimos sempre a atitude daquele que se vai? Na última colina que lhe mostra uma vez ainda todo o vale, ele se vira, se detêm e demora - é assim que vivemos e as despedidas não cessam jamais.” Elegies de Duin, Rainer Maria Rilke, Paris, 1949.
* Tradução livre para o português de Danilo Frabetti (dhangover@hotmail.com).
"Com todos seus olhos, a criatura vê o aberto. Somente nossos olhos parecem voltados, postos como armadilhas em tôrno da criatura, de sua livre passagem. O que está fora, nós não o lemos se não no olhar do animal, pois, a jovem criança está já voltada por nós e forçada a ver as formas diante de si, ao invés de desvendar esta abertura, tão profunda como a face do animal, livre de toda morte. Quanto a nós, é somente morte o que vemos. O animal sempre livre têm seu fim atrás e diante dele Deus. E quando ele se move, é para pertencer à eternidade, como os movimentos das fontes. Nós não temos um dia sequer, diante de nós, o puro espaço ao qual as flores se abrem infinitamente. É sempre o mundo e jamais, saído do nada, o lugar que é de parte alguma, a pureza que nada vigia mas que se respira, que se conhece infinito, que nada cobiça. Criança, tal aí se perde no silêncio e é perturbada. Ou tal outro morto o é. Pois perto da morte não a veem mais, o olhar se fixa e se torna talvez aquele do animal. Os amantes, não sendo o outro que mascara a vista, estariam muito próximos. Eles se admiram...
Atrás do outro, qualquer coisa se abre inadvertidamente... Mas ninguém jamais ultrapassa o outro e de novo tudo re-torna-se o mundo. Sempre voltados para a criação, não é se não nela que nós avistamos o reflexo da liberdade que nos encobre de sombra, ou quando um animal mudo nos atravessa com seu olhar levantado. É bem isso o destino: se manter em face, nada de outro, sempre em face.
Se tivesse uma consciência como a nossa, no aminal seguro de si que vem ao nosso encontro, seu movimento nos arrancaria do nosso caminho. Mas seu ser é infinitamente puro, sem limites. É seu olhar em seu estado, puro como a vista das coisas. Lá onde nós vemos o futuro, ele vê o todo e se vê ele mesmo no todo, e salvo, para sempre.
E portanto, há no animal se quente e vigilante, o peso e a preocupação de uma grande melancolia. Pois ele leva, ele também, o que assim frequentemente nos subjuga - a lembrança, este sentimento que tudo nos conduz o que tende a já estar muito próximo, muito fiel e de contato muito terno. Aqui tudo é distância e lá tudo era sopro. Depois do primeiro lar, o segundo lhe parece duvidoso e aberto aos ventos. Ó felicidade da pequena criatura que sempre permanece no seio que a levou ao seu termo. Ó felicidade do mosquito que, mesmo na hora de seu casamento, salta no interior do seio - , pois, estar no seio, é tudo. Olha esta segurança amputada do pássaro que, por sua origem, quase sabe de uma e de outra coisa, como se nele estivesse uma alma etrusca, vinda de uma morte que encerra um espaço, coberto por um que é. E quão turvo no voo é um ser nascido de um seio. Como assustado de si mesmo, ele atravessa o ar, assim como o avanço de uma rachadura na taça. É assim como o traço do morcego rasgando a porcelana da noite.
E nós: espectadores sempre e em todo lugar, voltados para tudo isso e não o ultrapassando jamais. Nós impomos a ordem. Tudo desmorona. Nós re-ordenamos, e nos decompomos nós mesmos.
Quem nos fez virar de modo que, o que quer que façamos, assumimos sempre a atitude daquele que se vai? Na última colina que lhe mostra uma vez ainda todo o vale, ele se vira, se detêm e demora - é assim que vivemos e as despedidas não cessam jamais.” Elegies de Duin, Rainer Maria Rilke, Paris, 1949.
* Tradução livre para o português de Danilo Frabetti (dhangover@hotmail.com).
10.8.09
"Vou ficar aqui comigo. Passear pelos cantos do meu quarto. Esfregar meus ombros nas paredes. Entrar no armário. Resfriar-me na madeira. Aconchegar-me nos casacos. Fundir-me à escuridão. Colocar as mãos dentro das meias. Mergulhar inteiramente dentro das meias." Murilo Seabra
pense sobre isso
pense sobre isso, como os parceiros
Kierkegaard e Sartre
que encontraram a existência
absurda,
como quem lutou contra
a ansiedade e a angústia
a insignificância,
a náusea,
e a morte que os rondava
- como a espada de Damocles -
ao passo que existem os homens de
agora
vazios de preocupações
onde o primeiro pensamento do
dia é
o que teremos para ao almoço?
garantido isso, pode ser que seja mais
confortável
para viver, dizer, como uma mosca morta, uma
formiga, ou um homem de poder,
e como um ser humano,
apenas pensar,
como um ser humano
que vive
condicionalmente,
como fazem milhões
sempre por aí.
claro que o inferno são os outros
e suas podridões, seus lixos,
sempre serão afastados
como isso,
ou aquilo.
a garagem automática
avança em sua direção
com olhos
de um morto qualquer.
* Retirado do livro Betting on the muse (poems & stories), de Charles Bukowski - Black Sparrow Press, 1997. Original em inglês traduzido (livremente) por Tamara Costa.
pense sobre isso, como os parceiros
Kierkegaard e Sartre
que encontraram a existência
absurda,
como quem lutou contra
a ansiedade e a angústia
a insignificância,
a náusea,
e a morte que os rondava
- como a espada de Damocles -
ao passo que existem os homens de
agora
vazios de preocupações
onde o primeiro pensamento do
dia é
o que teremos para ao almoço?
garantido isso, pode ser que seja mais
confortável
para viver, dizer, como uma mosca morta, uma
formiga, ou um homem de poder,
e como um ser humano,
apenas pensar,
como um ser humano
que vive
condicionalmente,
como fazem milhões
sempre por aí.
claro que o inferno são os outros
e suas podridões, seus lixos,
sempre serão afastados
como isso,
ou aquilo.
a garagem automática
avança em sua direção
com olhos
de um morto qualquer.
* Retirado do livro Betting on the muse (poems & stories), de Charles Bukowski - Black Sparrow Press, 1997. Original em inglês traduzido (livremente) por Tamara Costa.
licencinha
"Amanhã vou descobrir o Sunset Boulevard. Dança eurrítmica, dança de salão, sapateado, fotografia artística, fotografia comum, fotografia horrenda, tratamento eletrofebre (257), tratamento de ducha interna, tratamento de raios ultravioleta, lições de elocução, leituras psíquicas, institutos de religião, demonstrações astrológicas, leitura de mãos, pedicuro, massagem de cotovelos, levantamento facial, remoção de verruga, redução de gordura, levanta-se arco de pé, ajustam-se espartilhos, vibram-se bustos, removem-se calos, seca-se cabelo, ajustam-se óculos, curam-se ressacas, acabe com as dores de cabeça, dissipe a flatulência, melhore seus negócios, alugam-se limusines, seu futuro esclarecido, entenda a guerra, mais octano e menos butano, drive-in, fique com indigestão, limpe seu rim, lavagem de carro barata, pílulas para despertar e pílulas para dormir, ervas chinesas fazem bem e sem uma Coca-Cola a vida fica impensável." Henry Miller, in Pesadelo Refrigerado
8.8.09
subcultura.org
Bukowski, Hemingway, Poe, Hilda Hilst, Roberto Piva, Fante, Burroughs, entre outros porno-idols. Vai, tenta no banheiro. Subcultura.org, Artes e cultura para o estômago. Mais pro texto-trecho e corte-curioso. Instigue-se.
Linkado por passaroco.
Linkado por passaroco.
7.8.09
dos nãos
não, não temos mais vagas. não temos mais espaço. você não cabe aqui. você, que deve ter crescido para cima ou para baixo de tudo isso. talvez esteja ficando pequeno demais pra você. talvez seja preciso ordenar, a partir de agora, tarefas como sair para dentro e descer para cima. ah, mas não desanima. mesmo sabendo que não precisamos de você. não desanime. temos máquinas cafeteiras, pó-compacto e perucas - 100% cabelos. olha que fácil, tio. computadores e cálculos, precisos, claro. temos livros. não, não. temos mais arquivos compactados que livros. sim os livros esgotados de impressões digitais, em páginas de sua memória, ainda assim, não perdem sua transcendência. temos pouco espaço. estantes lotadas ao talo de frigideiras de teflon. mas já não comemos o ovo, clarice, nem aquela galinha. temos o compasso, o esquadro, o prumo, a régua e o nível. não precisamos de suas mãos. nem do sangue que corre junto as tuas velhas veias. muito menos de corações inábeis. vá pro lado de lá com seus pulsos cortados. coisas do tipo não temos, temos de sobra. e você ainda nos agradece, sucessivas vezes, com a mesma cara de sim. não, obrigado não.

Avenida Karl Marx, Berlin
Avenida Karl Marx, Berlin
15.7.09
humano
O sujeito era um médico. Desses viciados em metilfenidato. Um dia o cara foi num antiquário e comprou um saco. Passou a trancar umas cousinhas dentro dele. Um dia o saco, já de saco cheio, foi visto do outro lado da cidade. Ele se arrastou pelas calçadas. Os curiosos se reuniam nas sacadas pra ver o saco passar. "Onde está responsável por isso?", questionou o delegado. Quem viu comentou e a história foi tomando a cidade. Enquanto ele ia se arrastando, pegajoso, o povo ia atrás repudiando. Mas ninguém teve o culhão de pegá-lo a força. Nem de abrí-lo. O saco, já no ápice da raiva, explodiu e seus pedaços saíram se movimentando, em forma de macaco, para fora de todos os asfaltos, em busca de bananas e fêmeas.
13.7.09
Eles invadiram a festa. As crianças, mandaram pro quarto do segundo andar. Os homens, não sei. Foram levados. As mulheres, deixaram rodopiando pela varanda. Um deles era mulher. Dizia ter um grande plano enquanto balançava as receitas azuis. Deve ser isso, o lance de ter um plano - um sequestro, um roubo, uma tradução, uma casa ou outra cidade. Mesmo sabendo que depois tudo voltaria a seu lugar. Os lençóis marrons, as fotografias, os livros empilhados, a tv e os sinais. Até mesmo os cartões e os penteados. Partiram, deixando tudo como estava.
* Eles invadem. E você nem vê. Quando vê, já estão dentro.
* Eles invadem. E você nem vê. Quando vê, já estão dentro.
9.7.09
2.7.09
Manhã de terça-feira. Gal acorda agoniada. Entrevista de emprego. Todos têm emprego. Quem não têm, tá fora. Fora do círculo. Dos que estão girando. A capital e suas palas associadas. Tomou café, o que a mantém acordada. Vestiu a roupa adequada para a entrevista. Eles não devem ver as tatuagens, esparro demais. Aquelas máscaras úteis. Uma vez perdeu um emprego no CCBB porque tinha piercing na língua. "Esse aí do nariz até que vai, mas esse da língua não é compatível com nossa imagem". Imagem de cu é rola. Dessa vez vai sabotar. V de vingança. Culpa feliz. Na entrevista é mandada para cobertura de uma pauta de Meio Ambiente. Dados sobre os biomas brasileiros. Ver bioma. Ministro da Agricultura. Ministro do Meio Ambiente. Enclaves entre os biomas. Bioma Amazônico. Bancada de ruralistas e ambientalistas. "Como é que vocês alardeiam por aí que a água do mundo vai acabar se a molécula da água é eterna?". É que nem Deus. Deus é molécula. Sempre existiu e vai continuar existindo. Deus é eterno. Eterno nessa Brasília. Medo.
A entrevista que virou trabalho já passa das cinco horas. Os mais importantes se levantam e vão embora. Sobra a bancada da rural. Jornalista só se fode. Os mais importantes se levantam e vão embora. Gal fica até o final. Liga para a chefe. "Vai, pode ir embora, escreve amanhã". Certeza, chefia. Meus cavaleiros me chamam. Eu vou.
Talvez alguma coisa no beque, talvez algo na bebida ou nas pastas árabes ou no pão ou na cerveja, ou a conversa indigesta de homem que bate em mulher, de força do macho, obrigação, da mulher lá sempre-rejeição e o tal do "obriga-me, obriga-me" mantrificando vai ver de qual é ficar sozinho pra saber onde é que dói meu chapa, a companhia dos outros, os outros, suas falas intermináveis, seus peitos cheios de plexo e complexo e tudo mais que tem ali na cidade e atrás dos prédios e no banheiro talvez um aviso pra que ela não fizesse isso ou aquilo outro - o banheiro, a igreja, e todos os bêbados.
Os mais fracos serão esmagados pela multidão, sem a menor arte. Milhares de bytes por segundo.
E:
"Deus me livre de ter medo agora depois que eu já me joguei no mundo..."
Sim, meu nome é Gal.
Blog reativado.
A entrevista que virou trabalho já passa das cinco horas. Os mais importantes se levantam e vão embora. Sobra a bancada da rural. Jornalista só se fode. Os mais importantes se levantam e vão embora. Gal fica até o final. Liga para a chefe. "Vai, pode ir embora, escreve amanhã". Certeza, chefia. Meus cavaleiros me chamam. Eu vou.
Talvez alguma coisa no beque, talvez algo na bebida ou nas pastas árabes ou no pão ou na cerveja, ou a conversa indigesta de homem que bate em mulher, de força do macho, obrigação, da mulher lá sempre-rejeição e o tal do "obriga-me, obriga-me" mantrificando vai ver de qual é ficar sozinho pra saber onde é que dói meu chapa, a companhia dos outros, os outros, suas falas intermináveis, seus peitos cheios de plexo e complexo e tudo mais que tem ali na cidade e atrás dos prédios e no banheiro talvez um aviso pra que ela não fizesse isso ou aquilo outro - o banheiro, a igreja, e todos os bêbados.
Os mais fracos serão esmagados pela multidão, sem a menor arte. Milhares de bytes por segundo.
E:
"Deus me livre de ter medo agora depois que eu já me joguei no mundo..."
Sim, meu nome é Gal.
Blog reativado.
9.11.08
eu prefiro as curvas
Eu sou a escrita da srta Tamara Costa. Daqui, lugar que ocupo, sou viagem e corpo afora; senhorita território estando-estou continuo sendo.
Go to tubetolondon.blogspot.com
Go to tubetolondon.blogspot.com
1.10.08
cut-up
Talvez eu tenha virado um pedreiro – isso de socar o tijolo, a la Cortázar. Eu não te contei pra te preservar porque senão você enlouqueceria. Estou louca, não idiota. O senhor me dê licença. Há muito mais entre Marx, Freud e tua escravidade do que pudéssemos supor. Por favor, por favor. Preciso ficar sozinha. E é melhor que sua aventura não acabe em comédia. É melhor que você me tire da cabeça.
Vá ver Hebe e não me amole.
(chororô)
Onde é que você passou a noite? O que é que tem? Que tem é que eu sou sua mulher e você tem que me respeitar. Estúpido! Canalha! Pateta! Essa carne de segunda aqui te atura a anos. Cresça e desapareça da minha frente. Mas o que é isso? Ah, nunca mais cantei essa música e você com o mesmo perfume, oh god. Fodeu. É um sinal. Não posso ignorá-los.
A solidão do cisne. O último uivo do último lobo-guará resgatado.
Vá ver Hebe e não me amole.
(chororô)
Onde é que você passou a noite? O que é que tem? Que tem é que eu sou sua mulher e você tem que me respeitar. Estúpido! Canalha! Pateta! Essa carne de segunda aqui te atura a anos. Cresça e desapareça da minha frente. Mas o que é isso? Ah, nunca mais cantei essa música e você com o mesmo perfume, oh god. Fodeu. É um sinal. Não posso ignorá-los.
A solidão do cisne. O último uivo do último lobo-guará resgatado.
23.9.08
"Não me disseram ainda sobre o que é o novo drama, porém posso senti-lo. Estão tentando livrar-se de mim. No entanto, aqui estou para o meu jantar, até um pouco mais cedo do que esperavam. Informei-lhes onde sentar, o que fazer. Perguntei-lhes delicadamente se os estaria incomodando, mas o que realmente quis dizer, e eles sabem muito bem disso, é: estarão vocês me incomodando? Não, felizes baratas, vocês não me estão incomodando. Vocês estão me alimentando." Henry Miller, in Trópico de Câncer
10.9.08
O Som Barato, o melhor blog especializado em música brasileira, é retirado no ar - pelo google, que continua a nos amparar. E a busca continua!
Lastimável. Sem Barato.
Lastimável. Sem Barato.
8.9.08
Clínica Ser
"A tarefa de amolecer diariamente o tijolo, a tarefa de abrir caminho na massa pegajosa que se proclama mundo, esbarrar cada manhã com o paralepípedo de nome repugnante, com a satisfação canina, de que tudo esteja em seu lugar, a mesma mulher ao lado, os mesmos sapatos e o mesmo sabor da mesma pasta de dentes, a mesma tristeza das casas em frente, do sujo tabuleiro de janelas de tempo com seu letreiro HOTEL DE BELGIQUE.", trecho de Cronópios, manual, Julio Cortázar
Corredor
Lílian sai do banho, acende um cigarro e vai para o corredor. Ali, encontra com o menino-de-mochila-que-quer-vazar insistindo em encontrar Ferrez, e ainda sozinho não se contenta em querer sair para fora de tudo e insiste em insistir em coisas chatas e despropositais, como “repita meu nome completo”. Lílian chama mochila em um canto e fala baixinho “você já bateu em dois, agora tome cuidado, porque eles vão te pegar”. De mochila e aproximadamente 17 anos pareceu enfim perceber que ficar colocando pilha nos outros seria um erro. Lílian lhe pede um abraço. Ele nega.
O homem de olhos arregalados e calça mijada passa fumando um cigarro e diz que hoje ainda mata alguém.
O engenheiro eletricista do Ministério da Educação que gosta de sair e brincar e gosta também de gente alegre, diz que existe, e fuma um cigarro.
Hoje ainda mato um, grita enquanto mija.
Salão de jogos
Um jovem de olhos verdes toma chimarrão enquanto assiste a um show do Megadeath. Um casal de namorados se abraça na espreguiçadeira. Quadro azul: "Não escreva aqui, porque você não tem condições mentais".
Sofá marrom
A mulher de verde e rosto cansado senta no sofá e cruza as pernas várias vezes. A de blusa azul, no mesmo assento, apenas dorme. Sua mão esquerda se mexe em moldes parkinson - às vezes rodopia no ar e estrala. Ela dorme acordada.
Eu, sentada no sofá preto, também estou neste lugar – pelo menos por um tempo, como todos sempre dizem “cheguei hoje mesmo”.
Por que você não vem morar aqui?
Existir na Clínica Ser não nos parece tarefa tão difícil. Existir aqui é um hábito, já que quando escolhemos, em algum momento, existir, ou invés de simplesmente cooperar, assumimos um risco. Isso de fato é muita pretensão, pois para se entrar na Clínica Ser não é preciso ser tão louco assim, basta ser um praticante de automedicação. O problema é sair, ou melhor, disfarçar. Todos forjam, ou naturalmente, são algo que foge a previsão.
Uma das jovens senhouras que cuidam da limpeza e da ordem local, me diz que a Clínica está sempre aberta . Aberta está minha cabeça, e sinto que ela vai rolar e continua rolando, e nada isso teria a ver com Ritalina.
Corredor
Lílian sai do banho, acende um cigarro e vai para o corredor. Ali, encontra com o menino-de-mochila-que-quer-vazar insistindo em encontrar Ferrez, e ainda sozinho não se contenta em querer sair para fora de tudo e insiste em insistir em coisas chatas e despropositais, como “repita meu nome completo”. Lílian chama mochila em um canto e fala baixinho “você já bateu em dois, agora tome cuidado, porque eles vão te pegar”. De mochila e aproximadamente 17 anos pareceu enfim perceber que ficar colocando pilha nos outros seria um erro. Lílian lhe pede um abraço. Ele nega.
O homem de olhos arregalados e calça mijada passa fumando um cigarro e diz que hoje ainda mata alguém.
O engenheiro eletricista do Ministério da Educação que gosta de sair e brincar e gosta também de gente alegre, diz que existe, e fuma um cigarro.
Hoje ainda mato um, grita enquanto mija.
Salão de jogos
Um jovem de olhos verdes toma chimarrão enquanto assiste a um show do Megadeath. Um casal de namorados se abraça na espreguiçadeira. Quadro azul: "Não escreva aqui, porque você não tem condições mentais".
Sofá marrom
A mulher de verde e rosto cansado senta no sofá e cruza as pernas várias vezes. A de blusa azul, no mesmo assento, apenas dorme. Sua mão esquerda se mexe em moldes parkinson - às vezes rodopia no ar e estrala. Ela dorme acordada.
Eu, sentada no sofá preto, também estou neste lugar – pelo menos por um tempo, como todos sempre dizem “cheguei hoje mesmo”.
Por que você não vem morar aqui?
Existir na Clínica Ser não nos parece tarefa tão difícil. Existir aqui é um hábito, já que quando escolhemos, em algum momento, existir, ou invés de simplesmente cooperar, assumimos um risco. Isso de fato é muita pretensão, pois para se entrar na Clínica Ser não é preciso ser tão louco assim, basta ser um praticante de automedicação. O problema é sair, ou melhor, disfarçar. Todos forjam, ou naturalmente, são algo que foge a previsão.
Uma das jovens senhouras que cuidam da limpeza e da ordem local, me diz que a Clínica está sempre aberta . Aberta está minha cabeça, e sinto que ela vai rolar e continua rolando, e nada isso teria a ver com Ritalina.
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